A Exposição Itinerante Mulheres Negras Cultura e Protagonismo foi organizada pelo CNN – Coletivo de Negras e Negros de Taboão da Serra e Região – como parte da agenda do Julho das Pretas pelo Dia internacional da mulher negra afro latino-americana e caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela
Exposição Itinerante Mulheres Negras Cultura e Protagonismo
Em referência ao dia Internacional da Mulher Negra e ao dia Nacional de Tereza de Benguela, a exposição tem como objetivo apresentar as diversas formas de protagonismo das mulheres negras que não se observam na mídia tradicional e nem nos livros de história. Com sua concepção itinerante, a exposição permite a valorização da cultura afro-brasileira e a democratização do acesso a conhecimentos socioculturais.
As fotografias apresentam mulheres negras em variadas profissões e funções sociais e dão visibilidade para as suas ações como produtoras de saberes e lideranças. Mulheres que atuaram e atuam no cotidiano para enfrentar o racismo e as desigualdades. Ao serem vistas, as imagens potencializam mulheres e meninas negras que se veem representadas, como raramente acontece em outros espaços; e desvelam ao olhar de pessoas não negras realidades existentes para além das que estão habituadas. A exposição itinerante é uma iniciativa que promove a reflexão sobre diferença e equidade e acesso popular ao conhecimento histórico brasileiro.
As obras fotográficas propõe imagens sem o vício da estética eurocêntrica, com a imagem de mulheres negras brasileiras, seus modos de percepção e vivência. Destaca realidades e contingências muito necessárias nesses tempos duros que vivemos de recrudescimento e renovações de opressões e simplesmente apresenta o existir e o viver da mulher negra com toda a sua potência secular, histórica, cultural, filosófica e política.
Contextualização do Julho das Pretas e da realidade da mulher negra e seu protagonismo
O dia 25 de julho foi estabelecido como Dia internacional da mulher negra afro latino-americana e caribenha em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, com a realização do 1º Encontro de Mulheres Afro latino-americanas e Afro-caribenhas e a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas. A data foi oficializada pela ONU no mesmo ano.
No Brasil, 25 de julho também é Dia Nacional de Tereza de Benguela, rainha e líder do Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso. Durante sua liderança, Tereza criou um parlamento local, organizou a produção de armas, a colheita e o plantio de alimentos, chefiou a fabricação e a venda de tecidos para as vilas próximas ao Quariterê e manteve centenas de pessoas vivas por décadas.
Outras mulheres negras, antes e depois de Tereza, também atuaram de forma contundente e significativa e foram apagadas da história brasileira. É necessário saber que as mulheres negras se levantam todos os dias do ano para enfrentar o racismo, o sexismo, as desigualdades e os violentos impactos por eles gerados. E durante o mês de julho, as mulheres negras convocam a sociedade para enfrentar os problemas que são responsabilidade de todas as pessoas.
Atualmente, as mulheres negras continuam compondo a parcela da sociedade que mais sofre com a pobreza, violência e o descaso do governo. O Mapa da Violência mostra que elas são as maiores vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio. O IBGE diz que independentemente do nível de escolaridade, as mulheres negras continuam na base da desigualdade salarial e ganham 45% menos que pessoas brancas, no desempenho de mesmas funções e mesmo com mais anos de estudos são preteridas nas promoções em carreiras e na ocupação de postos de comando.
Os marcos do 25 de julho existem para lembrar que as conquistas são resultados de lutas e precisam ser mantidas, enfatizar a necessidade de que toda a sociedade enfrente as desigualdades e iniquidades ainda persistentes, rememorar as mulheres negras que lutaram e já partiram e fortalecer e articular as mulheres negras que ainda seguem na luta.
Quem somos:
O Coletivo de Negras e Negros de Taboão da Serra e Região- CNN, foi concebido e organizado em 2020 para discutir políticas públicas e constituído em 2021 como uma entidade de estudos, pesquisas, formação, divulgação, defesa, conservação do patrimônio histórico, promoção artística, cultural, da educação, saúde, cidadania e defesa dos direitos da população negra.
Serviço:
Exposição Itinerante Mulheres Negras Cultura e Protagonismo na agenda Julho das Pretas
Datas e locais: 18 a 23 de julho: Praça Nicola Vivilechio, Taboão da Serra, das 13h às 18h
24 de julho: Hangar, rua Paulino Ortega, 182 das 12h às 20h
Organização: CNN –Coletivo de Negras e Negros de Taboão da Serra e Região
Acervo, Pesquisa e Projeto: Kátia Trindade
Fotografia: Guilherme Griebler


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