O deputado estadual paulista Marcelo Aguiar (PL) protagonizou um grave incidente na madrugada deste dia 19 de outubro de 2026, quando foi detido pela Polícia Militar após o disparo de uma arma de fogo no interior de uma casa noturna no bairro do Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo.
O episódio, que expõe diretamente a conduta de um ocupante de cargo público de alta relevância no estado, ganhou contornos ainda mais complexos devido às prerrogativas de seu mandato eletivo. Segundo testemunhas presentes no local, o parlamentar apresentava sinais visíveis de embriaguez e teria se envolvido em uma discussão após importunar frequentadores do estabelecimento. Durante o tumulto, ele caiu ao chão, momento em que ocorreu o disparo da pistola calibre 380 que carregava.
Embora tenha sido conduzido em flagrante por agentes de segurança pública ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, o deputado não permaneceu detido.
Marcelo Aguiar acabou liberado poucas horas após o registro da ocorrência beneficiando-se da imunidade parlamentar, instituto constitucional que impede a prisão de membros do Poder Legislativo salvo em crimes inafiançáveis. A arma de fogo utilizada pelo político — que possui porte federal regularizado — foi devidamente apreendida e encaminhada para a realização de perícia técnica.
De acordo com informações oficiais da Polícia Militar, apesar do pânico provocado pelo tiro em um ambiente fechado e de grande movimentação, não houve o registro de feridos com gravidade.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil revelaram desdobramentos institucionais adicionais que complicam a situação jurídica e ética do representante público. O automóvel de luxo utilizado por Aguiar para se deslocar até a festa portava uma placa oficial de representação da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). No entanto, consultas imediatas ao sistema de transparência do Poder Legislativo estadual constataram que o modelo do veículo não estava registrado na frota oficial da Casa e tampouco vinculado ao gabinete do deputado. O uso indevido e a adulteração de sinais identificadores públicos podem configurar crimes previstos no Código Penal Brasileiro, com penas que variam de 3 a 6 anos de reclusão, intensificando o debate sobre a fiscalização dos privilégios parlamentares.
Em resposta pública dada por intermédio de sua assessoria de imprensa, Marcelo Aguiar contestou a narrativa de que teria sido formalmente preso, definindo o ato como um comparecimento para esclarecimentos voluntários.
A defesa técnica sustentou que o parlamentar estava sob forte efeito de medicamentos de uso controlado, os quais teriam desencadeado uma severa reação adversa que influenciou seu comportamento e resultou na discussão generalizada na boate.
O deputado tem 53 anos e cumpre atualmente uma vaga na Alesp após ter assumido o cargo em janeiro de 2025, fazendo parte da influente Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Nas recentes eleições de 2026, contudo, ele obteve 37.585 votos e não conseguiu assegurar sua reeleição, passando a figurar como suplente para a próxima legislatura paulista.
Por Paco Mariano
Pasuisas internet:
Portal G1 (São Paulo):
Revista Carta Capital:
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp):
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP):


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